Ideologia NOAM São Paulo

INTRODUÇÃO

 

O NOAM São Paulo é um movimento juvenil judaico massorti sionista na diáspora. Enquanto Tnuá HaNoar (movimento juvenil) compreendemos nosso funcionamento a partir de dois conceitos essenciais: “movimento” e “juventude”.

Como Tnuá, estamos sempre em movimento. A vida tnuati é marcada por diversos ciclos e por isso é parte de nossa essência estar em constante renovação, adaptação e reinvenção.

Vemos a juventude como força motriz para os mais importantes questionamentos e transformações de nossas comunidades, sociedades e do mundo. Valorizamos muito o espaço onde a educação pode ocorrer “de jovens para jovens”, sendo cada chaver (membro) responsável pela tnuá e pela integridade e bem-estar dos outros chaverim.

O NOAM é uma tnuá que está em diversos países e continentes ao redor do globo. Incentivamos nossa ligação e união com outros snifim (sedes) do NOAM, nos âmbitos AmLat (América Latina) e Olami (Mundial), através de projetos, intercâmbios, veidot (comitês) e parcerias.

Como NOAM-SP nos caracterizamos como uma tnuá comunitária. Construímos uma relação de apoio mútuo, preservando, ao mesmo tempo, nossa autonomia. Vemos a nossa ligação com a Kehilá (comunidade) como um meio de conexão com a comunidade judaica brasileira e a realidade local na qual nos inserimos. Assim sendo, buscamos fortalecer a parceria com a Comunidade Shalom, seus membros, bem como com as famílias de nossos chaverim e chaverot.

Temos quatro pilares ideológicos, que orientam nossas práticas e educação, eles são: judaísmo massorti, sionismo, tikun olam e a educação não-formal. Neste documento, estes estão apresentados e explicados.
 

Educação Não-Formal

 

“É só pelo meio da educação que podemos mudar o mundo e fazer dele um melhor”.  Janusz Korczak

  1. Educamos através de meios não-formais.

  1. Procuramos incentivar a constante capacitação de nossos bogrim e chanichim. Para isso, procuramos sempre trazer novos recursos além dos limites da educação não-formal.

 

  1. No NOAM, procuramos criar um ambiente seguro e aberto para debate sobre todo e qualquer assunto, formando indivíduos com senso crítico e respeito pelas diferenças.

 

  1. Acreditamos que a Dugma Ishit (exemplo pessoal) é essencial no processo educativo, já que “a palavra é sua aliada, mas nunca poderá substituir você”. - Janusz Korczak

 

  1. A Dugma Ishit é a forma essencial em nosso processo educativo. Acreditamos que nossa Tnuá deve atuar para ser dugma às outras tnuot, já que almejamos ser Or LaTnuot.

 

  1. Para nós, como NOAM, é importante a criação de vínculos entre os chaverim, pois eles possibilitam a abertura e fortalecimento de canais de troca de conhecimentos e vivências.

 

  1. Cada chaver contribui com o NOAM de formas distintas. Entendemos que cada um tem diferentes necessidades, preocupações, experiências, história de vida, gostos, sensibilidades e percepções diferentes. Assim, valorizamos e incentivamos as individualidades, pois elas contribuem para a construção do grupo.

 

  1. Temos consciência de que o conhecimento é infinito. Desse modo, o processo educativo nunca termina. O conhecimento deve ser constantemente renovado, apoiando e incentivando o chaver em suas diferentes etapas de vida.

 

  1. Ao educar temos responsabilidade sobre o que transmitimos. Somos responsáveis pelas gerações futuras, já que educamos os próximos educadores.

 

  1. Ao mesmo tempo que ensinamos estamos aprendendo, já que cada indivíduo tem algo novo a aportar.

 

  1. Para atingir a nossa Shlemut (completude pessoal) é necessário cultivar, praticar e viver a ideologia do NOAM: judaísmo masorti, sionismo, chinuch e tikun olam.

JUDAÍSMO MASORTI

 

‘Seus caminhos são agradáveis e suas veredas são de paz. É como a árvore da vida para quem a ela se apega, e afortunados são os que se dela se aproximam’ (Provérbios 3: 17-18)

 

  1. Conceito   

    1. O NOAM-SP é a juventude do movimento massorti, filiado ao Movimento Massorti (conservativo) e ao NOAM Olami (mundial).

    2. Atuamos e educamos conforme os valores do Judaísmo Massorti, respeitando a Halachá (item 1.3) estabelecida pelos rabinos massortim e buscando um equilíbrio entre tradição e modernidade. Compreendemos que vivemos em tempos dinâmicos e por isso aceitamos o desafio de lidar com as contradições que surgem ao tentar conciliar os dois lados.

    3. A Halachá massorti é um conjunto de livros e textos que articulam o modo de vida de um judeu massorti no século XXI, buscando dar significado e sentido moderno às práticas milenares do nosso povo. É isso que nós buscamos em nossa tnuá, pois acreditamos que seguir a halachá é o nosso caminho para a autorrealização judaica.

    4. Buscamos proporcionar a todos chaverim (membros) vivências e conhecimento que os levem a criar laços pelo judaísmo, para que possam desenvolver um pensamento crítico e consciente sobre suas escolhas judaicas.

 

  1. Pluralismo

    1. Aceitamos a existência e legitimidade das outras linhas religiosas diferentes da nossa, pois entendemos que o diálogo com outras culturas e crenças é um caminho para a educação para a paz e para o enriquecimento de nossa própria experiência judaica.

    2. Acreditamos que ser plural também é conseguir apreciar e aprender com as belezas de cada vertente da nossa cultura.

    3. Somos contrários a qualquer forma de fundamentalismo, intolerância e discursos que firam a dignidade do judaísmo Massorti.

    4. Em nossa tnuá, prezamos pela inclusão de todo(a) chaver(á) que tenha alguma ascendência judaica, ou alguma ligação identitária com o judaísmo que praticamos no NOAM. Casos excepcionais devem ser analisados e discutidos.

    5. Reconhecemos e respeitamos a existência das diversas identidades de gênero e a sexualidade de cada indivíduo (item 3.2 Tikun Olam). Apoiamos concepções igualitárias e pluralistas de casamento e outras práticas judaicas que reafirmem o pluralismo, a defesa de todas as vidas como iguais, buscando defender a livre possibilidade de ser e a igualdade perante ao judaísmo, sem qualquer distinção ou segregação.


 

  1. Igualitarismo

    1. Acreditamos que todos, independente do gênero, possuem um espaço de igualdade nos papéis da vida judaica, e encorajamos as mulheres a tomarem um papel ativo em ocupar todas as funções e práticas judaicas que optarem (kipá, talit, tefilin, ler torá, compor o minian, liderar a tefilá, etc.).

    2. Apoiamos a luta feminista hoje em curso, sendo ela consoante com a luta pela igualdade das mulheres dentro do judaísmo.

    3. O Kotel é um monumento de todo povo judeu e lutamos para que nossas práticas igualitárias possam ganhar seu espaço no Muro, sobretudo o espaço Ezrat Israel (Kotel igualitário). Damos todo o apoio à luta das Nashot HaKotel (Mulheres do Muro) e resistimos com elas.

 

  1. Práticas

O movimento massorti é uma corrente judaica religiosa e cultural. Como juventude do movimento, é de nossa responsabilidade manter seu caráter em nossas práticas que, de maneira alguma, devem ser vazias de significado. As formas da Halachá devem estar sempre relacionadas com seu conteúdo, a Hagadá (narrativas e práticas culturais judaicas). Acreditamos que o estudo de fontes judaicas antigas e modernas ilumina um entendimento maior acerca do que praticamos.

Os chaverim da tnuá tem a liberdade de decisão para incluírem ou não em suas vidas pessoais as práticas religiosas, não devendo haver nenhum tipo de imposição ou cobrança de níveis de observância, nem invasão da liberdade (como guardar o shabat/iamei tovim, manter a kashrut, etc.).

 

    1. Shabat e Chaguim

      1. O Shabat é um dia separado dos demais da semana, logo sagrado. Para construir uma atmosfera agradável e de menuchá (descanso) seguimos as práticas de shomer shabat. Nesse dia, não devemos cortar, rasgar, utilizar energia elétrica (celulares e aparelhos eletrônicos), tocar em dinheiro, escrever ou apagar, entre outras coisas que modifiquem ou criem algo novo. Entendemos que é possível dar peulot e outros tipos de atividades sem a necessidade de descumprir essas regras.

        1. Uma tnuá shomer shabat é mais inclusiva do que aquela que não é, pensando que chaverim que guardam o shabat não podem frequentar uma tnuá que não é shomer shabat. Sendo assim, ser shomer shabat é uma forma de inclusão.

      2. A tzevet (conjunto de madrichim/educadores) serve como exemplo pessoal (dugmá ishit) para os chanichim, e por isso, é mais importante ainda cuidar para não violar o shabat na frente dos mesmos, assim como de pais e de membros da comunidade. Não há espaço para a quebra do shabat em ambiente tnuati. A confecção de materiais e o uso de celulares, principalmente, devem ser evitados ao máximo. A exceção básica para essa regra é em caso de pikuach nefesh (preservação da vida) - em casos de riscos.

      3. Chaguim

        1. Para além do shabat, os chaguim também são importantes marcos para a prática e a realização de nosso judaísmo, e também de conexão com a kehilá e com nossa tradição judaica.  

        2. Seguimos as leis dos chaguim segundo a halachá massorti, assim não comemos chametz (comidas fermentadas) em Pessach, estimulamos o jejum em Tishá BeAv e Iom Kipur e comemos na sucá em Sucot, por exemplo.

 

    1. Kashrut

      1. Dentro de ambientes tnuatí, devemos observar a kashrut. Tendo em vista que a kashrut é uma questão de ambiente comum, não são permitidos alimentos treif (não kasher), ainda que estejam sendo consumidos individualmente.

      2. Consideramos válidas e apoiamos a prática de outras formas diferentes de kashrut que surgiram no mundo moderno, como a eco kashrut e a kashrut social. Incentivamos a nossos chaverim hábitos pessoais saudáveis, considerando a vivência de cada indivíduo dentro da kashrut uma vivência diversa. Acreditamos na importância de tais práticas e hábitos estarem de acordo com os princípios judaicos de Tikun Olam (reparo do mundo), Tikun Adam (reparo do ser humano) e Shmirat HaGuf (cuidado com o corpo) (item 1.4 de Tikun Olam).

 

    1. Tefilá

      1. A tefilá é um marco de caráter religioso que propomos aos nossos chaverim dentro da tnuá. Entendemos que através da reza é possível atingir níveis de espiritualidade e autoconhecimento, de conexões com a kehilá e com D’us. Incentivamos que os chaverim da tnuá pratiquem ativamente tefilot em suas vidas pessoais.

      2. Nos marcos de tefilá dentro da tnuá, incentivamos que todos utilizem a kipá, o talit e tefilin. Os madrichim são os responsáveis de incitar que os chanichim assim o façam, através de explicações e do exemplo pessoal (dugma ishit).

      3. Acreditamos que a música, a dança e o contato com a natureza tornam o momento de tefilá mais agradável, significativo e inclusivo.



 

    1. Kehilá (comunidade)

      1. A Comunidade Shalom é a kehilá que abraça o NOAM como sua juventude. Entendemos que somos parte de um mesmo movimento (e corrente judaica), sendo assim nossa responsabilidade conjunta mantê-lo ativo.

      2. Além da religiosidade, o judaísmo masorti encoraja as práticas comunitárias como centrais na vida de um judeu moderno. A Shalom é um espaço que temos para exercer essas condutas, e por isso, é importante que a tnuá como um todo faça parte da vida comunitária, estimulando que seus chaverim individualmente também o façam.

      3. O Rabino da Juventude é uma de nossas conexões com a Shalom, que permite as partes de se aproximarem. Esse cargo propicia que as práticas da tnuá sejam condizentes com a da comunidade e vice versa.

 

    1. Cultura e Tradição

      1. Estimulamos nossos chaverim ao comprometimento com o aprendizado judaico, seja em momentos de rezas, de estudos ou de peulot. Acreditamos que o uso de fontes judaicas sagradas e modernas, religiosas e laicas, devem dialogar com contextos atuais, já que o estudo com fontes judaicas proporciona um entendimento maior acerca das abordagens da linha massorti e da história do pensamento judaico mundo afora.

SIONISMO
 

  1. Legitimidade

    1. Acreditamos firmemente na existência de Israel como um Estado judaico e democrático, sendo nosso dever seguir construindo Medinat Israel com os nossos valores.

    2. Prezamos pelo “Sionismo em Y” no qual o boguer tem a sua realização sionista cumprida através de dois caminhos: fazendo aliá (item 6) ou sendo um ativista nas tfutzot (item 5).

 

  1. Símbolos identitários

    1. O hino, a bandeira, o escudo, as aglomerações urbanas (cidades, kibutzim, moshavim e kfarim), a natureza de Israel, a língua hebraica e as festividades nacionais representam a nossa identidade sionista como tnuá, nos unificando como povo mesmo fora de Israel, nas tfutzot.

 

  1. Conexão

    1. Acreditamos que o chaver NOAM deve se interessar por conhecer cada vez mais a história do Estado de Israel, de modo a moldar um sionismo crítico moderno que trate dos temas atuais de Israel.

    2. Buscamos que nossos chaverim estejam atualizados com o que acontece em Israel, aproximando-se da realidade social, cultural e política do país por meio das vivências na tnuá, de modo que estes criem sentido em suas vidas, enriqueçam seu processo educativo, seu olhar crítico-analítico e a consolidação de suas identidades individual e coletiva.

    3. Vemos o Shnat Hachshará como o melhor programa de longa duração em Israel para um boguer tnuá, pois este promove ao chaver da tnuá uma experiência ideologicamente completa. Viver em diferentes áreas da sociedade israelense, ter a facilidade de levar uma vida judaica e haláchica, e se envolver com os problemas sociais são formas do que acreditamos ser nossa realização judaico sionista. Um madrich que volta do shnat traz consigo ferramentas e conhecimentos que somam no que concerne à conexão da tnuá com Israel, com a religião e com o mundo. Além disso, é um grande estímulo para um dia fazer aliá. Assim, incentivamos os nossos madrichim a participar ativamente deste programa e a aprimorarem constantemente a tochnit, de acordo com as demandas da tnuá, para que a experiência seja cada vez mais enriquecedora e adequada aos futuros bogrim.

 

  1. Hebraico

    1. O hebraico é o idioma nacional do povo judeu. Assim, recomendamos a busca por aprender e conhecer a língua hebraica. Nos marcos do NOAM, o hebraico deve estar presente, desde as tfilot até o cotidiano da tnuá.

    2. “A língua hebraica irá desde a sinagoga até os centros de estudo; da casa de estudo até a escola e desde a escola entrará nas casas… se tornando uma língua viva.” - Eliezer Ben Yehuda

 

  1. Tfutzot/Diáspora

    1. Nós, do NOAM São Paulo, somos uma tnuá que está na diáspora (tfutzot, em hebraico).

    2. Estar nas tfutzot implica um esforço maior para exercer integralmente nossa conexão com Israel; entretanto, vemos esta condição como uma oportunidade de crescimento e aprendizado, capaz de florescer outras formas de vivência do judaísmo e de realização da comunidade judaica para além da aliá. Além disso, acreditamos que o ativismo sionista de um(a) chaver(á) NOAM deva continuar após o término de seu ciclo tnuati.

 

  1. Aliá

    1. Apoiamos a aliá (migração para Israel) individual ou em grupo, tendo em vista que o chaver(á) esteja ciente das questões, necessidades e desafios existentes na realidade israelense, disposto a transformar e melhorar seu entorno.

    2. Defendemos que fazer aliá sendo um boguer NOAM significa contribuir ativamente no desenvolvimento do Estado de Israel, sobretudo nas lutas que a tnuá e o movimento Massorti estão envolvidas. Isto pode se dar através de diversos caminhos: ingressando na Tzavá (exército), participando ativamente no Nashot Hakotel, estudando na Yeshivá conservativa de Jerusalém, vivendo em kibutzim como Keturá e Hanaton, sendo participante de comunidades massortiot, além de outras possibilidades existentes. A aliá de nossos bogrim deve buscar alcançar o ideal sionista de Or LaGoim (luz entre as nações) através dos valores do NOAM.

 

  1. Tzahal

    1. Reconhecemos o direito do Tzahal para com a defesa do Estado do Israel, entendendo sua necessidade nos tempos atuais e transmitindo apoio para os Garinim do NOAM Israel. Contanto, nem sempre apoiaremos todas as suas ações.

    2. Apoiamos os ingressantes na Tzavá, pois acreditamos que esta instituição seja necessária atualmente para a manutenção do Estado de Israel e que ela possui um papel fundamental na inserção dos jovens na sociedade israelense.

 

  1. Ativismo

    1. Assumimos nossas responsabilidades de realizar mudanças que sejam necessárias, buscando a melhora da realidade israelense (item 6.2) e da comunidade judaica diaspórica (5.2).

    2. Apoiamos instituições israelenses com as quais compartilhamos valores e que visam a construção de um Estado mais pluralista e igualitário. Declaramos apoio às Nashot HaKotel (as mulheres do muro) na luta pelos seus direitos político-sociais e pela liberdade de expressão religiosa judaica no Kotel.

    3. Almejamos a redução da pobreza e das desigualdades sociais de Israel, entendendo tais problemáticas como sendo substanciais para a preservação do bem estar social do país.

    4. Vemos como dever do boguer NOAM defender Israel com senso crítico e saber modular seu discurso de acordo com o ambiente e a situação, realizando, desta forma, atividades de hasbará com criticidade.

 

  1. Religião e Estado

    1. Como descrito na Declaração de Independência do Estado de Israel, acreditamos ser importante que Israel seja um Estado regido pelos valores judaicos e pelos valores democráticos de direito, de modo que assegure, igualmente, o direito de todos os espectros e origens judaicas. Além disso, creemos que o aspecto democrático deve garantir os direitos de pessoas que são de outras religiões.

    2. Acreditamos que o cargo de Rabino-chefe do Estado deva representar igualmente todas as linhas judaicas existentes em Israel.

    3. Acreditamos que o Estado deva considerar todas as linhas do judaísmo como válidas e legítimas na constituição de suas leis.

 

  1. Governo e diplomacia

    1. Apoiamos o Estado de Israel, mas prezamos o senso crítico, não apoiando incondicionalmente todas as ações do governo.

    2. Apoiamos o crescimento das relações diplomáticas entre Israel e as outras nações.

    3. Acreditamos que devemos ser críticos ao Estado brasileiro quando suas decisões e ações afetarem tanto Israel quanto a integridade da comunidade judaica no Brasil. Isto, pois, assumimos responsabilidade com a sociedade brasileira e paulistana (item 9.1 de Tikun Olam).

 

  1. Conflito Israelo-Palestino

    1. Nos comprometemos a educar sobre os múltiplos lados do conflito, empoderando, assim, um debate com propriedade de discurso.

    2. Acreditamos que a via do diálogo e da negociação é a que trará a paz entre palestinos e israelenses, assumindo como plano de fundo o compromisso com os direitos humanos e com a dignidade de todos os lados.


 

TIKUN OLAM

 

“Na criação do Universo, um recipiente não pôde conter a Luz Sagrada (Ein Sof - sem fim) e se quebrou em pedaços. O Universo que conhecemos está literalmente quebrado e precisa ser reparado. Através de nossas ações, fazemos Tikun Olam. Isto é, ajudamos a reparar o recipiente do Universo. Dessa forma, a Humanidade participa da criação divina.” - Tikun Olam, segundo a tradição cabalística

 

  1. Conceito

    1. Enquanto movimento juvenil NOAM, entendemos Tikun Olam (reparo do mundo) como uma responsabilidade moral e haláchica (referente à lei judaica)  de cada um de seus chaverim, tanto no plano individual quanto coletivo.

    2. Concordamos com a visão de que o ser humano é parceiro da criação, devendo assim protagonizar ações que levem ao desenvolvimento e manutenção de um mundo justo, diverso, igualitário, pacífico e sustentável.

    3. Acreditamos que o mundo é imperfeito, e que é dever de cada um melhorar o mundo ao seu redor, deixando-o cada dia melhor para a nossa geração e as próximas.

      1. “A consciência de si como ser inacabado necessariamente inscreve o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca (...) É na inconclusão do ser que se funda a educação como processo permanente.” - Paulo Freire

    4. Defendemos que o “fazer” Tikun Olam se dá em diferentes níveis, sendo esses: entre o indivíduo e ele mesmo, sua família e amigos, sua comunidade, o povo judeu, Israel e o mundo. Da mesma forma, deve ser feito de dentro para fora, por meio de:

      1. Tikun Adam (reparo do ser humano): acreditamos na importância do agir intrapessoal. O fazer Tikun Olam começa entre o indivíduo e ele mesmo.  Assim, a partir da autotransformação, somos capazes de perceber o nosso entorno e também transformá-lo. Por meio do Shmirat HaGuf (cuidado com o corpo), damos visibilidade a importância e o cuidado que o chaver NOAM deve ter com o seu corpo, desde a forma como nos alimentamos à nossa saúde mental.

      2. Guemilut Hassadim (atos de amor e bondade) e Tzedaká (justiça e caridade): Vemos que outro passo para a reparação do mundo está na relação do "eu" para com o "outro". Isso manifesta-se em ações e práticas voltadas para a sociedade, visando o desenvolvimento social, a proteção dos direitos humanos e a manutenção da dignidade da vida humana.

      3. Ecologia e sustentabilidade: Por fim, na relação do indivíduo com o meio, apoiamos a criação de uma cultura ecológica, que cada vez mais respeite o meio ambiente e os seres vivos que fazem parte deste, assim como nós, seres humanos. Incentivamos práticas de respeito com a natureza,  visando transformar a relação de exploração que temos com a natureza em uma relação de troca e equilíbrio, igualdade, respeito e sustentabilidade mútua.

 

  1. Tnuá

    1. Nos caracterizamos como uma tnuá pluralista, assim aceitamos e buscamos propiciar um ambiente seguro a todos, independente da etnia, classe social, opção política, orientação sexual e identidade de gênero.

    2. Valorizamos muito em nossos processos o debate e o diálogo, sempre buscando o respeito para com todas as partes. Nesse sentido, buscamos tomar decisões de forma democrática e dialógica, principalmente nos espaços de reunião.

    3. Incentivamos e tentamos proporcionar um ambiente para que cada chaver tnuá possa ter sua Hagshamá Atzmit (realização pessoal), junto de nossas realizações coletivas como chaverim NOAM.

    4. Proporcionamos no ambiente tnuatí, por meio da chinuch, hadrachá, dugmá ishit, espaços de sensibilização, reflexão e conscientização quanto às problemáticas globais (sendo essas de fundo político, social ou ecológico), assumindo posturas e agindo sempre que possível. Temos como objetivo criar um sentimento de possibilidade  de mudança em todos os chaverim, de forma que este seja intrínseco a todos aqueles que são atingidos pelo processo educativo do NOAM.

 

  1. Ativismo e Militância

    1. Nós, como Noam, não somos filiados a nenhum partido político, porém não somos apolíticos e tomamos decisões parciais, estando sempre comprometidos com os valores da democracia, direitos humanos e contrários a qualquer forma de fundamentalismo.

      1. No que tange à nossa ideologia, encorajamos o posicionamento político, mediante o debate em Tzevet.

    2. Nos posicionamos como uma tnuá pluralista que defende as causas feminista e LGBTQI+. Também nos colocamos como uma Tnuá que luta contra as mais diversas formas de discriminação, como racismo, capacitismo, intolerância religiosa e xenofobia.

      1. Nos propomos a estar constantemente nos capacitando e atuando para proporcionar um ambiente inclusivo na Tnuá.

    3. Entendemos que a consciência ambiental e a prática de atitudes ecologicamente sustentáveis são essenciais hoje em dia. Assim, incentivamos e estimulamos essas práticas em nossos marcos.

      1. Vemos que valores judaicos tradicionais como a Kashrut, Tassar Balei Chaim (respeito àqueles que possuem vida), Baal tashchit (não destruição da terra) estão em confluência com essas práticas. Somamos a isso as ideias modernas de Eco-Kashrut e Kashrut Social como importantes práticas nesse aspecto.

    4. Valorizamos e estimulamos toda ação de Tikun Olam com as quais seus chaverim se engajem na sua vida cotidiana e nas realidades sociais ao redor do mundo, saindo de sua zona de conforto e mobilizando-se em prol do bem estar social, ambiental e de todas as formas de existência viva da criação.

      1. Acreditamos no potencial de cada indivíduo para fazer a diferença, tendo em vista que a força do coletivo é sempre maior.

    5. Responsabilizamo-nos a criar e a aderir a projetos e ações de Tikun Olam pertinentes às necessidades da nossa tnuá e de nossa kehilá, da sociedade brasileira, israelense e mundial.

    6. Por nosso snif (sede) estar nas sociedades brasileira e paulistana, temos como compromisso social e engajamento político a ação de conscientização e intervenção diretas com esse meio, através da defesa de nossos ideais de educação.

    7. Apoiamos outras instituições e organizações que possam ser nossas parceiras na transformação do mundo e que nos ajudem a praticar e realizar nossos valores. Desde que possuam ideais coerentes com o que defende nossa ideologia.